De onde vieram as Runas?

Bem, como muitos sabem, as runas foram encontradas por Odin quando Ele sacrificou-se. Ele estava pendurado em uma árvore que homem algum conhece, perfurado por sua própria lança, cansado, morto. Sacrificado. E então, ele olhou para baixo, para a terra onde se encontravam as raízes da árvore. E ele viu as runas. Cravadas em pedras. Então, um grande esforço que o fez cair da árvore, ele as colheu do chão e absorveu seus conhecimentos. Odin estava morto, pendurado no outro mundo, no mundo espiritual. Odin teve que juntar suas partes nas runas para leva-las aos outros mundos, as outras dimensões e essa fusão entre runas e Odin, faz dele, hoje, parte desse mistério. E por tal razão, também, deve ser sempre o primeiro a ser chamado para adentrar nos mistérios das runas, pois ele agora faz parte delas. O que nos fala diretamente do misticismo que cerca as runas e sua equivalência espiritual na vida dos homens.  Ele foi o primeiro iniciado na tradição rúnica, mas não o criador delas. Então, de onde vieram as runas?

Voltando a parte em que Odin vê as runas no chão cravadas em pedra, sempre me pergunto, porque pedras? As pedras em si me levam de volta a um mito grego onde, após o dilúvio, havia apenas dois humanos na terra e lhe foi ensinado que mais homens viriam a terra se eles lançassem seus ancestrais na água. E eles jogaram as pedras no mar, porque a terra é a nossa ancestral mais antiga. E para cada pedra jogada no mar, um humano surgia e assim, a terra pôde ser repovoada.

Tendo as runas então, como elementais da terra, vem-me mais questões. Questões do surgimento de nosso planeta. No mito de criação nórdico encontro continuidade a minha linha de pensamento. No princípio, era o nada, e do nada, nasceram fogo e gelo. E deles, vieram primeiro os gigantes, os deuses e os homens. Nessa linha mítica de criação, detenho-me nos elementos presentes para a criação do universo – fogo e gelo – que me lembram de duas das runas que mais tenho afinidade no Runatal. Sowelu e Isa. Mostrando que as energias rúnicas já rondavam o universo antes mesmo dele ser criado.  A meu ver, as runas, como energia, são as forças criadoras desse universo. O impulso dos pensamentos do Uno, ou o orgasmo do Grande Casamento Divino. Literalmente, o resultado do Big Bang!

Toda essa linha de raciocínio leva-me a crer em deidades pré-deidades. As energias rúnicas são tão singulares e minhas vivências com elas são tão intensas, que eu creio na divindade de cada runa. Que elas sejam pré-existências. Bom, esse é o meu ponto de vista e é extremamente difícil trabalhar no Brasil com runas devido à baixa quantidade de material. Mas lendo textos de fora do país, não me deparei com teorias próximas a essa. Mas posso garantir que essas energias rúnicas se personificam e trabalham conosco se assim permitirmos. Eu (Arlon), por exemplo, estou em um caminho iniciático através da runa Isa. E tenho Isa como uma deusa na minha vida. E foi através de Isa que essas questões me começaram a surgir.

As runas são energias, deidades mais antigas do que possamos datar, elas são pré-criação, pré-existência. Elas eram o som no silêncio, o OM hindu, o Big Bang científico, o orgasmo pagão, o Verbo cristão… Elas foram/são as energias da criação e se encontram em todos os lugares. Na terra que brota vida (Berkana), no gelo do Inverno (Isa), no calor do verão (Sowelu), na força de vontade e na honra (Teiwaz), na energia que mantem os ciclos, que faz a roda girar (Jera), no fogo que aplaca o frio (Kano), na água que forma a terra (Laguz), nas forças incontroláveis da natureza (Hagalaz), e assim por diante. Elas representam tudo nesse mundo e nos outros, podemos associar as runas em todas as questões e circunstancias terrenas, espirituais, emocionais e de virtudes. Elas são a magia, elas são essa força que instiga o crescimento!

Não fique preso a meros títulos ou nomes, reconheça suas energias e as viva! Encontre as runas que há em você.

Namastê,

Arlon Alexicacus

GramaVerde.

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4 responses to “De onde vieram as Runas?

  1. Nhaa… Runas como divindades… que lindo!
    Belo caminho iniciático vc está traçando… Que as runas e os Deuses lhe abençoem 🙂
    Adorei essa parte: “Elas eram o som no silêncio, o OM hindu, o Big Bang científico, o orgasmo pagão, o Verbo cristão… ”

    Mas sabe, concordo com muita coisa do que falou, só vejo uma diferença grande e significante entre runas e divindades. As divindades aparecem como energias conscientes, com vontades próprias e representantes de suas próprias energias. Enquanto as runas não possuem essa consciência de suas próprias energias, elas são a energia crua, portanto sem uma inteligencia sobre si e sobre os outros…
    Por isso as runas são facilmente trabalhadas com outras runas, juntadas, incorporadas, é energia primitiva em cima de outra energia primitiva. Já as divindades tem um comportamento próprio na energia que elas regem, possuem personalidade, pode até ser a nossa construção de poder identificar os Deuses como próximos a nós, com vontades, defeitos, qualidades. Eles são facilmente associados com outras deidades pelas suas peculiaridades…
    Já as runas são a energia pura, sem esse comportamento, sem nenhuma associação humana ou representação para nós que não sejam as próprias forças da natureza… Certamente essas energias tem tanto para ensinar quando uma Deidade em si, mas é algo mais complexo por não ter uma personalidade, só a real manifestação de uma força originária e primitiva de nossa sociedade… Por exemplo, a honra, sabemos trabalhar com muitas deidades que são honradas, porém não sabemos qual é a personalidade da honra em si…

    São pensamentos que me brotaram ao ler esse texto, as semelhanças e diferenças entre os trabalhos com as runas e com as deidades, ambos possuindo seus desafios 🙂

    Parabéns pelo Blog \o/

  2. Eu também concordo com a Mari em partes, no sentido de que as runas são sementes, sementes de energia crua e latente, mas como o texto diz, elas são pré-divindades, as divindades são energias naturais humanizadas, ao redor das quais foi criado toda uma egrégora.
    De qualquer maneira, penso que a energia de uma runa possa ser personificada, perdendo muito de seus elementos, claro, mas para passar determinado conhecimento. É como aprender sobre a natureza do fogo trabalhando com o fogo, aprender sobre o Gelo trabalhando com o Gelo. Simples como tudo é na verdade… =D
    Adorei o comentario Mari, adoro esse tipo de discussão *_*

  3. Creio que o Bruno compreendeu bem o eu quis dizer com “pré-deidades”. As energias rúnicas não são personificadas em sua forma primária, pois elas são antecessoras a esse conceito. Mas eu acredito sim na força que essas energias possuem e que elas atravessaram o véu do outro mundo para trabalhar conosco de diversas formas possíveis. E, fazendo mais um adendo ao texto, analisando a parte do poema onde Odin se funde as runas, ele tem acesso a seus conhecimentos. Mas uma fusão é, na verdade, uma troca. Então as runas também possuem conhecimentos de “personas” no nosso nível de consciência, embora sua consciência original seja apenas sua forma primitiva.

    Obrigado pelos comentários =D

  4. Interessante o texto e claro os comentários, viver a energia de cada runa é de fato algo surpreendente… Parabéns pela belíssima explanação sobre o assunto.

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